domingo, novembro 27, 2005

* Identidade*

( Imagem da net )

Matei a lua e o luar difuso
Quero os versos de ferro e de cimento
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento
Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo coração que se dabate aflito
e luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.
Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.
In Antologia Poética
Miguel Torga

quinta-feira, novembro 17, 2005

Tempo!

( Imagem da net )

O tempo é o nada
que invade e mata
a capa sopro de vento da alma
de vida ingrata de fim sem data.
O tempo é a praga
e nada de verdade
sem dó nem piedade
virtula realidade.
O tempo não existe
mas cruel ele insiste
em manter o homem triste
resistência que conquiste.
O tempo é ciente
de ser insuficiente
que não o contém inteiramente
e mergulha intensamente
do fim ao começo sempre.
( Autor Desconhecido)

domingo, novembro 13, 2005

Estamos tão perto de estar longe!

( Imagem da net )

Tivemos conversas infindáveis que me deixaram com sorrisos marotos a saltitar nos lábios, e as palavras que vieram do coração não precisaram ser traduzidas foram representadas em pequenos gestos. Sei que é bom pensar em ti, que uma mensagem, ou um e-mail teu dão cor aos meus dias, as saudades chegam quando te pressinto longe e fico a sentir-me esquecida sem força para aconchegálas.
Estamos tão perto de estar longe, o que nos une não é superior a afastamentos, distâncias, ausências prolongadas, já estava à espera que te esquecesses do meu aniversário, eu não queria prendas, só queria que me deixasses um sorriso com um simples telefonema, mas que de certeza te iria tirar muito tempo.
Sabes não foram os teus defeitos que me desiludiram, foste tu, as decepções com o género humano deixam-me sempre profundamente abalada.
Sei que são os fracos que desistem, até me podes chamar fraca, mas é assim que me fazes sentir.
Vou deixar que o silêncio reine dentro de mim, e viver na saudade como uma alma perdida, que tu não vais sequer notar nem sentir. Deixo-te entregue à ocupação diária, desta vez fartei-me de compreender os motivos para a tua falta de tempo.

domingo, novembro 06, 2005

A estória da Gaivota que se apaixonou pela Lua!

Foto de Inácio Silva ( IJAS )

Era uma vez uma Gaivota que ao levantar voo rumo ao incerto, levou um tiro numa das asas sendo projectada para uma praia deserta. Esteve caída como um anjo sem asas durante dois dias, até que ao fim do tereiro dia, o vento soprou-lhe as asas e assim ela pude vislumbrar a luz da Lua, que lhe iradiou o olhar e deu-lhe força para se erguer e novo abraçou o céu ao sopro do vento. A Gaivota guardou na memória o reflexo da Lua e apaixonou-se, quando trocou um olhar brilhante e sorrisos felizes que sorriram.
Certo dia a Gaivota encontrou no mesmo lugar onde ela tinha estado, o corpo caído de um pescador entre garafas vazias, com as marcas da travessia estampadas no rosto.
A Gaivota ao aproximar-se dele foi afogentada, porque ele queria ser esquecido e que só a escuridão o acolhece.
A Gaivota fez várias tentativas para o poder fazer erguer dorçalmente, o pescador fitou a Gaivota nos olhos e esta entristeceu-se por ver ver o vazio no olhar dele. À noite a Gaivota ao esvoaçar observou, como o rosto do pescador ficou claro e nítido à luz do luar, por instantes ele fez um pedido ao luar '' Quero ser um motivo de alegria e não viver em solidão!''.
Nessa noite a Lua brilhou mais e guardou os sonhos e desejos do pescador.
O pescador libertou-se da solidão sob a escuridão do silêncio e aprendeu a voar nas asas do vento.
Aqui está a estória Antonior, espero que seja do teu agrado.

* Bom começo de semana! *

( Imagem da Net )
'' Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve''
Mafalda Veiga - Fragilidade

sexta-feira, novembro 04, 2005

* Bom fim-de-semana!!! *

'' E as lágrimas que choro,
branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma,
Ninguém as vê cair
dentro de mim''
Florbela Espanca

terça-feira, novembro 01, 2005

Palavras!

'' Há no homem o dom perverso da banalização.
Estamos condenados a pensar com palavras, a sentir em palavras se queremos pelo menos que os outros sintam conosco.
Mas as palavras são pedras.''
Vergilio Ferreira em '' Aparição''