segunda-feira, outubro 31, 2005

Singela gota!

Vejo na vidraça a chuva escorregar
Oiço ao longe o assobio do vento
Uma lágrima desmaia do meu olhar
As folhas molhadas deslizam pelas ruas
Os olhos postos na vidraça
reflectem numa singela gota
todos os instantes, alegres, tristes
As nuvens da tempestade envolvem o céu
Peço ao vento que me liberte como uma folha
que flutua em noite estrelada
deste sentimento que me consome

terça-feira, outubro 25, 2005

Mesmo sem estares, estás presente!

Caminhei pela areia molhada daquela praia deserta, onde as ondas vinham morrer suavemente a meus pés. Fiquei por momentos a olhar o mar, ocorreram-me lembranças do dia em que fizemos castelos na areia, desenhamos, corremos livremente enquanto as ondas nos salpicavam.
Parecíamos duas crianças despreocupadas, de sorriso nos lábios a aproveitar ao máximo aquele dia de praia, a nossa alegria era contagiante que até aquele grupo de crianças convidou-se para jogar conosco à bola. Aquele foi um dos dias mais felizes da minha vida!
Antes de regressar, comtemplei o sol que desceu em direcção ao mar, dei um sorriso triste e luminoso, que me fez rodopiar como se estivessemos de mãos dadas. Mesmo sem estares, estás presente.

sábado, outubro 22, 2005

* Bem, hoje que estou só e posso ver *

Bem, hoje que estou só e posso ver
Com o poder de ver o coração
Quanto não sou, quanto não posso ser,
Quanto se o for, serei em vão,
Hoje, vou confessar, quero sentir-me
Definitivamente ser ninguém,
E de mim mesmo, altivo, demitir-me
Por não ter procedido bem.
Falhei a tudo, mas sem galhardias,
Nada fui, nada ousei e nada fiz,
Nem colhi nas urtigas dos meus dias
A flor de parecer feliz.
Mas fica sempre, porque o pobre é rico
Em qualquer cousa, se procura bem,
A grande indiferença com que fico.
Escrevo-o para o lembrar bem.
Fernando Pessoa
Poesias Inéditas



quarta-feira, outubro 19, 2005

Tesouro selado!

Naquele dia em que o nosso amigo nos apresentou fiquei com má impressão a teu respeito, tu foste rude na forma como falaste com o Miguel e à saída do pub preocupaste-te em exibir o carro novo. No dia seguinte ao passares por mim disseste-me '' olá!'' a sorrir, confesso que fiquei surpreendida. A pouco e pouco fui-te conhecendo, a tua rebeldia chamou-me à atenção e ajudou-me a perceber que no fundo és uma pessoa frágil que gosta de atenção, a tua revolta interior é expressada pelos teus comportamentos bruscos e de indiferença para preservares a imagem de '' bad boy ''.
Esperei dias a fio e inesperadamente, encontrei-te numa noite que encobria as nossas feições, fitaste-me no olhar e sorriste-me. Eu calei no meu interior o grito de fera aprisionada, não denunciei o que me ia na alma, contemplei-te, não te via à uma eternidade, mas continuas a fazer tremer a minha alma.
A distância aumenta a dor e a saudade, tento não lembrar-me de ti mas a memória atraiçoa-me, guardo-te como um tesouro selado que mais ninguém pode desfrutar.

segunda-feira, outubro 17, 2005

O som da tua voz!

Conto as horas que passam devagar, os meus pensamentos vagueiam, o meu coração continua a partir-se, sinto cada vez mais a tua falta.
É o som da tua voz que pode salvar a minha alma, sinto que o meu coração voa quando oiço a tua voz, e voa tão alto que chega até ti, talvez tu não notes, não sintas, mas está aí tão perto de ti, que nem parece verdade que não esteja ao teu lado.

domingo, outubro 16, 2005

Estrelas e cometas!

Existem pessoas Estrelas e pessoas Cometas. Os cometas passam. Só são lembrados pelas datas em que surgem no céu, de tantos em tantos anos. As estrelas permanecem. Passam séculos e séculos e estão sempre no mesmo sítio.
Assim são os amigos: Estrelas da nossa vida...!!!!
Dedico este pequeno texto a todos os meus amigos que sempre me apoiaram nos momentos mais dificéis ao longo da minha vida. Muito obrigado a todos eles.
*Sparkling

sábado, outubro 15, 2005

Esconde-se na neblina!

...
Ao sopro da brisa marítima corremos lado a lado pelas rochas desertas ao som da voz profética do mar pregoando tormentas durante a bonança que momentaneamente reinava.
Quando nos sentámos, sobre a areia fina e macia que o mar enrolava, trocamos as mais belas frases. Foi por entre sorrisos que os nossos lábios se tocaram.
Mas de repente acordei desse sonho, enrolei as mãos uma na outra para agarrar a alma, senti o cheiro de uma onda perfumada e voltei a imaginar um mar imenso e sombrio, que te dá liberdade de navegar, distanciando-te cada vez mais de mim. Naveguei com as estrelas, segredei-lhes o quanto gosto de ti, que tens nevoeiro na alma, que acreditas mas não sentes, que traduzes o teu amor na ausência e que escondes-te na neblina.
Vi como é traiçoeiro o sonho, como este leva-nos ao fundo do mar onde tudo é belo e perfeito, onde o que parece calmo pode não o ser.